
O vento chicoteia-me os cabelos, enquanto olho para o abismo que se estende a meus pés. É profundo e escuro, vasto e certamente desce até aos confins do infinito. Vê pela positiva Morwen... saíste do outro a custo, mas saíste. Estás aqui. Viva. Pode ser que este não seja tão mau...
Sinto o ar a suportar-me o peso. O meu cabelo revolve em torno da minha cara à medida que me afundo na escuridão...
Vejo agora que o erro foi quando saltei. É a chamada falácia da generalização precipitada. Um só argumento serve para refutar a tese. O problema é que eu estou em queda livre e não sei onde nem quando vou aterrar.
Procuro algo onde me agarrar, mas as paredes são de pedra lisa e fria...
Quando me viro de costas, para as estrelas e para a lua que alumiam a minha queda, penso nas incertezas que povoam os meus pensamentos, e ouço os bichos da madeira a perfurarem as madeiras das minhas raízes.
Sei que não vou ter resposta às minhas perguntas...divagar pra quê?
Enrolo-me com a ajuda da pressão que me envolve e fecho os olhos, humedecidos por causa do frio. Fecho os olhos... e deixo-me cair...



